Educação Financeira para Crianças

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Educação Financeira para Crianças em 4 Perguntas.

1- Há alguma idade ideal para passar o valor da responsabilidade do dinheiro para as crianças?

Apesar de não podermos definir uma idade ideal para iniciar a Educação Financeira para Crianças, podemos afirmar que antes da entrada para o ensino básico pensar em dotar as crianças da ideia da responsabilidade ou de valor do dinheiro é uma ideia ilusória. Isto porque a noção de responsabilidade é uma aquisição mais tardia. Todavia, deve-se ir falando do dinheiro, quando se vai às compras ou quando se paga qualquer coisa (sem se ser excessivo) para a criança se habituar ao léxico.

Quando a criança entra para a escola aos 6 anos já pode levar algum dinheiro para um lanche. Aqui convém que seja o dinheiro suficiente e necessário para o dito lanche, nem mais, nem menos. A ideia do valor do dinheiro pode começar a ser desenvolvida a partir desta fase. Quanto ao sentimento de responsabilidade vai ter que se esperar pelo fim da adolescência, e em muitos casos os indivíduos não desenvolvem em pleno esta noção.

A melhor forma de passar o valor da responsabilidade é através do bom exemplo que os pais possam dar aos filhos. Mas pelo contrário, se advogam que os filhos tem de ser responsáveis, mas depois exibem comportamentos consumistas comprando a torto e a direito e endividando-se, não podem esperar que os filhos desenvolvam uma boa noção de responsabilidade.

 

2- Como se deve calcular o valor da semanada ou mesada?

O Valor da semanada deve ser calculado de acordo com o que precisa realisticamente uma criança com a idade do seu filho (para comer na escola, para transportes, material escolar, um doce). Nunca deve se muito superior a isto, pois se se apanha com muito dinheiro a tendência é para gastá-lo em todo o tipo de objectos lúdicos, muitas vezes até pouco pedagógicos.

Quando falamos de crianças mais velhas esta mesada pode ser ampliada, mas sempre baseada no principio atrás referido: o da necessidade apropriada à idade.

Cuidado para os pais resistirem à tentação fácil (e perigosa) de compensar com dinheiro aquilo que deveriam dar aos filhos em atenção e dedicação. É isto que leva a gerações e gerações de pessoas materialistas e interesseiras (confundir ter dinheiro e bens com o ter valor como pessoa).

 

3- Que conselhos é que os pais devem dar para as crianças aprenderem a poupar?

Os bons conselhos que os pais podem dar é o de serem realistas e honestos quando estão a dar lições aos filhos (o que não acontece na maior parte das vezes). Os bons conselhos prendem-se sempre com o comprar primeiro o essencial, depois prever o quanto se vai precisar no futuro (no caso das crianças um futuro a muito curto prazo, pois não podem fazer previsões de prazos alargados), e depois, é que se pode avançar para um gasto não tão importante sob o ponto de vista do fundamental, mas importante na perspectiva do prazer e satisfação. Mas quanto menos atenção e carinho uma criança ou adolescente tem dos pais, mais facilmente vai querer compensar essas faltas (carências) com comportamentos de aquisição e consumo desenfreado.

Os conselhos que os pais possam dar aos filhos são importantes, mas perdem a sua eficácia se não existe uma boa relação entre eles, se não se tratam de pais que sempre se preocuparam com os filhos, que os acompanharam no percurso escolar, e que tiveram bons momentos de relação. Sem isto e sem dar um exemplo de comportamento regrado de consumo, os conselhos não passam de parangonas vistas pelos filhos como hipocrisias, e que dificilmente vão acatar.

 

4- Existe alguma fórmula que os pais devam saber para ensinar as crianças a diferenciar os gastos indispensáveis dos supérfluos?

Sim. Dar o exemplo. É a forma mais eficaz e talvez a única que realmente resulte. Depois de muito exemplo dado, pode investir-se na parte lógica ou racional: explicar o que é supérfluo e essencial. No entanto, se os pais não tem uma boa noção do que é essencial e supérfluo,como o podem transmitir aos filhos?

Respeitando a natureza do ser humano a ordem que vai do essencial para o menos essencial respeita a:

1- Manutenção das necessidades básicas de alimentação e bem estar orgânico

2- Manutenção das necessidades de protecção e reserva de intimidade, como por exemplo ter um lar onde se resguardar com condições de habitabilidade.

3- Necessidade de relacionamento interpessoal e social.

4- Necessidade de realização pessoal (seja no trabalho, seja perante si próprio).

 

Deste modo podemos dizer que o grau que define o mais essencial do menos essencial deverá respeitar esta ordem natural de necessidades humanas. Os gastos de dinheiro devem canalizados respeitando esta ordem, i.e., alimentação e saúde; habitação e vestuário; alguma vida social e respectivos gastos; comprar alguns objectos ou serviços que nos proporcionem realização pessoal. Só se deve passar para a ordem superior quando a anterior estiver satisfeita. Não se vai gastar dinheiro em vestuário caro (2º nível) se tem a família em casa com fome (1º nível).

 

Mas mais uma vez relembro que formulas para ensinar um filho a ser um bom gestor de dinheiro, achando que isso passa só pelo discurso e desprezando o próprio comportamento e a relação que se tem com os filhos, só podem ter um mau resultado.

Vasco Catarino Soares

Neuropsicólogo /Psicoterapeura

Cédula Profissional nº 4603

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